Platão era um entusiasta da Matemática. Os grandes matemáticos do seu tempo, ou foram seus alunos, ou seus amigos. Nesse sentido, não se poderá deixar de referir que, à entrada da Academia, segundo fontes posteriores, se lia a máxima: “Que não entre quem não saiba geometria”. Para Platão a Matemática é, antes de mais, a chave da compreensão do universo. Indagado certa vez sobre a atividade do demiurgo, respondeu: “Ele geometriza eternamente”. Além disso, a Matemática é o modelo de todo o processo de compreensão. Se a missão da filosofia é descobrir a verdade para além da opinião e da aparência, das mudanças e ilusões do mundo temporal, a Matemática é um exemplo notável de conhecimento de verdades eternas e necessária independente da experiência dos sentidos. Como Platão defende na República, o filósofo deve saber matemática porque “ela tem um efeito muito grande na elevação da mente, compelindo-a a raciocinar sobre entidades abstratas”. Platão sempre considerou que a ciência dos números ou aritmética se encontra acima de muitas outras que eram tidas como essenciais para as artes profissionais. A lenda atribui a paternidade da aritmética ao herói Palamedes que combateu em frente de Troiá e de quem se diz que ensinou ao chefe supremo Agamémnon o uso da nova arte para fins estratégicos e tácticas. Platão ri-se dos que assim pensam, pois, segundo ele, Agamémnon não teria sido capaz nem sequer de contar os dedos, muito menos, os contingentes do seu exército e da sua frota. Para Platão, a aritmética é muito mais do que uma simples ciência auxiliar para o combate. O seu valor não reside nas suas aplicações práticas. Sem ela o Homem não seria Homem. É com uma riqueza impressionante de análise que Platão determina o valor cultural da matemática como algo que purifica e estimula a alma, um saber que faz voar o pensamento para os objetos mais sublimes, que arrasta a alma para o Ser. A sua eficácia reside em facilitar, àqueles que para ela têm talento, a capacidade para compreender toda a classe de ciências. Quanto aos preguiçosos, ao serem iniciados e treinados, ainda que outra utilidade a matemática não lhes traga, ao menos estimula neles a agudeza de espírito. Trecho retirado do Blog da Matemática no dia 12 de Maio 2020 ás 17:30. "Platão" em Só Matemática. Virtuous Tecnologia da Informação, 1998-2020. https://www.somatematica.com.br/biograf/platao.php
terça-feira, 12 de maio de 2020
Platão e a matemática
Platão era um entusiasta da Matemática. Os grandes matemáticos do seu tempo, ou foram seus alunos, ou seus amigos. Nesse sentido, não se poderá deixar de referir que, à entrada da Academia, segundo fontes posteriores, se lia a máxima: “Que não entre quem não saiba geometria”. Para Platão a Matemática é, antes de mais, a chave da compreensão do universo. Indagado certa vez sobre a atividade do demiurgo, respondeu: “Ele geometriza eternamente”. Além disso, a Matemática é o modelo de todo o processo de compreensão. Se a missão da filosofia é descobrir a verdade para além da opinião e da aparência, das mudanças e ilusões do mundo temporal, a Matemática é um exemplo notável de conhecimento de verdades eternas e necessária independente da experiência dos sentidos. Como Platão defende na República, o filósofo deve saber matemática porque “ela tem um efeito muito grande na elevação da mente, compelindo-a a raciocinar sobre entidades abstratas”. Platão sempre considerou que a ciência dos números ou aritmética se encontra acima de muitas outras que eram tidas como essenciais para as artes profissionais. A lenda atribui a paternidade da aritmética ao herói Palamedes que combateu em frente de Troiá e de quem se diz que ensinou ao chefe supremo Agamémnon o uso da nova arte para fins estratégicos e tácticas. Platão ri-se dos que assim pensam, pois, segundo ele, Agamémnon não teria sido capaz nem sequer de contar os dedos, muito menos, os contingentes do seu exército e da sua frota. Para Platão, a aritmética é muito mais do que uma simples ciência auxiliar para o combate. O seu valor não reside nas suas aplicações práticas. Sem ela o Homem não seria Homem. É com uma riqueza impressionante de análise que Platão determina o valor cultural da matemática como algo que purifica e estimula a alma, um saber que faz voar o pensamento para os objetos mais sublimes, que arrasta a alma para o Ser. A sua eficácia reside em facilitar, àqueles que para ela têm talento, a capacidade para compreender toda a classe de ciências. Quanto aos preguiçosos, ao serem iniciados e treinados, ainda que outra utilidade a matemática não lhes traga, ao menos estimula neles a agudeza de espírito. Trecho retirado do Blog da Matemática no dia 12 de Maio 2020 ás 17:30. "Platão" em Só Matemática. Virtuous Tecnologia da Informação, 1998-2020. https://www.somatematica.com.br/biograf/platao.php
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